Teremos dias cinzas também, filhos.

Hoje acordarmos num leve mal humor. Mentira. Acordamos num mal humor homérico mesmo.

Tito não queria escovar os dentes, não queria lavar o rosto, não queria colocar a cueca, nem as calças, muito menos a camiseta. A blusa voava de um lado para outro. Sapato, nem de longe. Não queria comer, nem ir para escola, também não queria ficar. Não queria assistir nada, muito menos esperar no sofá. Não queria falar e nem ouvir. Não queria. Ho-je ele NÃO que-ri-a.

Nonô acordou reclamante, não queria colo, não queria ficar longe dos meus braços, não queria cama, não queria berço. Não queria mamar. Não queria coberta, não queria ficar sem ela. Não queria que mexessem em sua roupa. Não queria o brinquedinho preferido, não queria a mãe, o pai, o irmão ou o cachorro. Se houvesse um papagaio, certamente não o quereria. Ho-je ele NÃO que-ri-a.

Vlad não queria menino por perto. Não queria ficar na sala e também não queria ficar isolado. Não queria barulho. Não queria a ração. Não queria. Ho-je ele NÃO que-ri-a.

Hoje eles não queriam as coisas, e eu não queria que eles não quisessem. Todos queriam e NÃO queriam um sem fim de coisas. :(

Saímos de casa “de bico”. Todos. Antes de entrar na escola, os beijei e abracei bem forte. Contei para eles que temos dias esquisitos na vida, mas, como os dias bons, eles, também terminam. E que a tardezinha eu voltaria com meu melhor sorriso, para que juntos nos preparássemos para um novo dia cheio de SIMs.

Sigamos.

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