Sobre a Sociedade Moderna

Fomos a mais uma consulta do Caetano.

Levantamos cedo, enquanto me preparava, ele dormia mais um pouco e o pai dele ajeitava a mala com todas as coisas que costumamos usar na rua.

Chegamos ao hospital, aguardávamos o chefe do setor para discutirmos o caso e definir os próximos passos. Não conhecíamos até o momento. A grata surpresa foi sua simpatia e a nítida paixão pelo que faz. ELA é realmente boa nisso, é referência para sua equipe, os conduz com segurança e os apoia com empatia. Trata com respeito e muito cuidado, não só os pacientes, mas os familiares que os acompanham nessa dura rotina. Saímos felizes de lá.

Seguimos a programação, considerando as inúmeras variáveis do dia: Muito cedo, muito frio, muito vento, muitas bolsas… Chamei o táxi por um aplicativo.

Taxi chega, abro a porta cumprimento a motorista. Embarco os dois, acomodo as bolsas, os beijo, recomendo que ELA os conduza em paz até nossa casa. Ela sorri, e me diz para ficar tranquila.

Sigo minha agenda, visita a um cliente. Pego estrada. Paro em um posto, para tomar um café. Cumprimento um policial rodoviário. ELA responde ao cumprimento com um sorriso nos lábios e na voz. Sorrimos mutuamente.

Retomo meu trajeto. Chegando à cidade, dou passagem para um ônibus lotado de crianças. Recebo um agradecimento sonoro e um aceno na sequência. Pela janela, unhas vermelhas radiantes acenando e ELA dirigindo cautelosamente.

O pingo que faltava no meu copo de orgulho, chegou quando comecei meu dia falando com profissionais que admiro e respeito, pela sua trajetória profissional e pela humanidade que tem. ELAS sempre com boas ideias, buscando conhecimento, inovando e tentando a melhor alternativa para o projeto. ELAS fazendo comigo a diferença no cliente. ELAS. ELAS. ELAS.

E daí que começo a perceber quantas MULHERES DISPOSTAS, FORTES e COMPETENTES me cercam.

A começar de minha mãe.

A se estender à minha irmã.

A englobar minhas cunhadas. E as mães das minhas cunhadas.

Minhas tias. Minhas primas. Minhas AVÓS.

Minhas parceiras de negócio, de projetos, de café e mão amiga.

Minhas amigas. As que não são minhas amigas. As que se quer conheço.

As mulheres que encontro todos os dias na entrada da escola das crianças, prontas para a vida.

TODAS, a mudar o mundo.

TODAS, a construir um lugar mais igualitário e justo.

TODAS, lutando por si e pelas outras, ainda que indiretamente.

São elas. São ELAS.

Em casa, na rua, no comércio, nas indústrias. Ocupando todos os lugares, porque todos são nossos. Todas as frentes são possíveis.

Quero que saibam do meu orgulho. Um orgulho gigante por sermos essas mulheres.

E para quem ainda insiste em subestimar esse poder, eu só digo uma coisa: SINTO MUITO. Porque tudo isso é só o começo. Nós somos as netas das bruxas que vocês queimaram. E vocês não fazem ideia do que serão as filhas de nossos ventres.

Vamos irmãs. Para o alto e avante!

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