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E a vida, mostrando quem manda na bagaça…

Ordem geral de aparição de dentes: primeiro incisivos INFERIORES.
Mas daí vem a vida, gente… E a vida de um libriano… Libriano-Caetano, com um coeficiente surpresa. Daí que acontece? Trolla a ordem das coisa tudo. Sai logo os dentes superiores e pronto, “porque ele não é obrigado”.

É isso aê: Nosso Nokemon evoluiu na noite retrasada!!! E acordou ontem assim, todo faceiro, com um sorriso de ½ dente.

2016_08_30 - Dente Nono

Coincidências: Tito também teve seu primeiro dentinho em Agosto! <3
Esses meninos são puxa-sacos de mãe mesmo… Ceeeeeeeeeeeerteza que é presente de aniversário para mim!!!

Agora pronto Agosto, pode terminar. rsrsrsrsrs

Sobre a Sociedade Moderna

Fomos a mais uma consulta do Caetano.

Levantamos cedo, enquanto me preparava, ele dormia mais um pouco e o pai dele ajeitava a mala com todas as coisas que costumamos usar na rua.

Chegamos ao hospital, aguardávamos o chefe do setor para discutirmos o caso e definir os próximos passos. Não conhecíamos até o momento. A grata surpresa foi sua simpatia e a nítida paixão pelo que faz. ELA é realmente boa nisso, é referência para sua equipe, os conduz com segurança e os apoia com empatia. Trata com respeito e muito cuidado, não só os pacientes, mas os familiares que os acompanham nessa dura rotina. Saímos felizes de lá.

Seguimos a programação, considerando as inúmeras variáveis do dia: Muito cedo, muito frio, muito vento, muitas bolsas… Chamei o táxi por um aplicativo.

Taxi chega, abro a porta cumprimento a motorista. Embarco os dois, acomodo as bolsas, os beijo, recomendo que ELA os conduza em paz até nossa casa. Ela sorri, e me diz para ficar tranquila.

Sigo minha agenda, visita a um cliente. Pego estrada. Paro em um posto, para tomar um café. Cumprimento um policial rodoviário. ELA responde ao cumprimento com um sorriso nos lábios e na voz. Sorrimos mutuamente.

Retomo meu trajeto. Chegando à cidade, dou passagem para um ônibus lotado de crianças. Recebo um agradecimento sonoro e um aceno na sequência. Pela janela, unhas vermelhas radiantes acenando e ELA dirigindo cautelosamente.

O pingo que faltava no meu copo de orgulho, chegou quando comecei meu dia falando com profissionais que admiro e respeito, pela sua trajetória profissional e pela humanidade que tem. ELAS sempre com boas ideias, buscando conhecimento, inovando e tentando a melhor alternativa para o projeto. ELAS fazendo comigo a diferença no cliente. ELAS. ELAS. ELAS.

E daí que começo a perceber quantas MULHERES DISPOSTAS, FORTES e COMPETENTES me cercam.

A começar de minha mãe.

A se estender à minha irmã.

A englobar minhas cunhadas. E as mães das minhas cunhadas.

Minhas tias. Minhas primas. Minhas AVÓS.

Minhas parceiras de negócio, de projetos, de café e mão amiga.

Minhas amigas. As que não são minhas amigas. As que se quer conheço.

As mulheres que encontro todos os dias na entrada da escola das crianças, prontas para a vida.

TODAS, a mudar o mundo.

TODAS, a construir um lugar mais igualitário e justo.

TODAS, lutando por si e pelas outras, ainda que indiretamente.

São elas. São ELAS.

Em casa, na rua, no comércio, nas indústrias. Ocupando todos os lugares, porque todos são nossos. Todas as frentes são possíveis.

Quero que saibam do meu orgulho. Um orgulho gigante por sermos essas mulheres.

E para quem ainda insiste em subestimar esse poder, eu só digo uma coisa: SINTO MUITO. Porque tudo isso é só o começo. Nós somos as netas das bruxas que vocês queimaram. E vocês não fazem ideia do que serão as filhas de nossos ventres.

Vamos irmãs. Para o alto e avante!

O Pai é nosso, mas a oração é minha

Meu pai amado que está nos céus,

Você que está em tudo. E, por mais estranho que as vezes me pareça, está em todos… Até naquele um que enche o meu saco.

Você, que é o Alpha e o Ômega, o principio e o fim,

Você, que no meu entendimento também deve ser homem e mulher porque nos fez a Sua imagem e semelhança

Você que me permitiu a graça de maternar esses dois seres

Você que me permitiu a graça de ver graça nisso tudo

Você que é Batutão e me ajuda mesmo quando eu acho que não mereço (porque eu sei que só pela sua infindável graça e amor para aturar umas paradas minhas aê… Mas, é assim mesmo, né? Filho, às vezes, é “fogo na barra da saia”, cê sabe disso melhor que eu.)

Deus-Tudão. Deus-Lindão. Continua comigo todo tempo, porque a parada aqui na terra tá loucona… Temos tido uns dias “esquisitão” desse lado de cá. Serião.

Os humanos que Você criou, anda num azedume sem fim. É tanto ódio nuns coraçõezinhos peludos aqui, que “aaaaas veeeeeiiiiiiz, susta nóis”. É tanta intolerância. É tanto radicalismo. Tanta gente sabida das coisas, do bem e do mal. Um tanto de regra vomitada da boca dessas gentes (vou escrever vomitada, mas cê sabe bem que eu pensei, né?), que, ó, só lembrando que são nossos irmãozinhos mesmo para não mandar a voadora bem no meio do peito. Jesus não iria ficar contente com isso, então, nóis respira.

Bom, o Senhor tem visto isso tudo também, né? Não tem novidade. Mas ó, isso aumenta a minha fé e me faz acreditar ainda mais em Você, porque só o amor paterno/ materno mesmo para não acabar com toda essa chatice humana. Então, obrigada pelo ensinamento. Se quiser já colocar mais seres legais perto de mim, pode colocar, porque já aprendi essa lição aê.

Bom, o papo é reto, Queridão: tô aqui orando para agradecer. O mundo tá um caos, as pessoas um saco, eu num tô lá a mais simpática da turma, mas, mesmo com tudo isso, Sua presença não se afasta de mim. Também agradeço pelos filhos que me confiou e peço sua direção para criá-los da forma mais humana que eu puder. Agradecidíssima pela saúde, pelos livramentos (que, ó, tá de parabéns!) e por colar comigo nos rolê. Valeu também pelo cidadão latino americano que colocou no meu caminho (vulgo Reinaldo) e pelo qual garrei amor, ele tem mais coisas legais que chatas, foi da hora isso aê.

Beijão.

Continua comigo nas parada.

Ainda bem que tamo junto.

É nóis.

Teremos dias cinzas também, filhos.

Hoje acordarmos num leve mal humor. Mentira. Acordamos num mal humor homérico mesmo.

Tito não queria escovar os dentes, não queria lavar o rosto, não queria colocar a cueca, nem as calças, muito menos a camiseta. A blusa voava de um lado para outro. Sapato, nem de longe. Não queria comer, nem ir para escola, também não queria ficar. Não queria assistir nada, muito menos esperar no sofá. Não queria falar e nem ouvir. Não queria. Ho-je ele NÃO que-ri-a.

Nonô acordou reclamante, não queria colo, não queria ficar longe dos meus braços, não queria cama, não queria berço. Não queria mamar. Não queria coberta, não queria ficar sem ela. Não queria que mexessem em sua roupa. Não queria o brinquedinho preferido, não queria a mãe, o pai, o irmão ou o cachorro. Se houvesse um papagaio, certamente não o quereria. Ho-je ele NÃO que-ri-a.

Vlad não queria menino por perto. Não queria ficar na sala e também não queria ficar isolado. Não queria barulho. Não queria a ração. Não queria. Ho-je ele NÃO que-ri-a.

Hoje eles não queriam as coisas, e eu não queria que eles não quisessem. Todos queriam e NÃO queriam um sem fim de coisas. :(

Saímos de casa “de bico”. Todos. Antes de entrar na escola, os beijei e abracei bem forte. Contei para eles que temos dias esquisitos na vida, mas, como os dias bons, eles, também terminam. E que a tardezinha eu voltaria com meu melhor sorriso, para que juntos nos preparássemos para um novo dia cheio de SIMs.

Sigamos.

Epopeia Noturna

– Ô Nôte, Nonô. Ô Nôte, Dád. Ô Nôte, papai. (Boa noite, Nono. Boa noite, Vlad. Boa noite, papai.)
– Tudo pronto, Tito?
– Tiiiim! (Sim!)
– Então vai para o quarto que já estou indo. Vou escovar os meus dentes agora.
– Eca, mamãe! Cocô di dinossálo! No tente da mamãe… Ééééca!! Que fedô. Cová, fazê atim ó: tic, tic, tic. Cocô di dinossálo… Tadinha… Cou foi, mamãe? (Eca, mamãe! Cocô de dinossaruro! No dente da mamãe… Ééééca! Que fedor. Escovar, fazer assim ó: tic, tic, tic. Cocô de dinossauro… Tadinha… Quando foi, mamãe?)
– Viu só, Tito? Se não escova os dentinhos depois de comer, e antes de dormir, o dinossauro vem e faz cocô no dentinho. Fica ruim, né? Vou lá resolver isso, antes que fique pior. Me espera ali, no seu quarto, na poltrona.
– Tá bom! Mamãe, cou foi? Foi ôti nôte? Biu na cama e fez cocô no tente? (Tá bom! Mamãe, quando foi? Foi ontem à noite? Ele subiu na cama e fez cocô no dente?)
– Acho que sim… Eu não reparei, porque eu estava dormindo… Vai lá, mamãe já vai.
– Tá bom!

Chego no quarto, ele está na poltrona, com seus livros. “Inéditos”.

– Té itóia. Tenta ti? (Quero história. Senta aqui?)
– Sim, vai mais pra lá, pra mamãe colocar o bumbum dela com o seu.
Ele vai para o cantinho e me dá os livros.
– Vejamos… Vamos ler uma história nova? Mamãe tem uma ótima, que tá aqui ó! – Aponto para minha cabeça.
– Qu´eu vê! – Puxa minha cabeça – Tonta, mamãe Thati! Tonta! (Deixa eu ver! Conta mamãe Thati, conta!)
Puxo ele para meu colo, e começo: – Um dia, tava lá de boa uma ovelha colorida, chamada Petrúcia. Feliz a bichinha, Tito… Bem feliz mesmo! Ela vivia logo ali, perto da Raposo Tavares, sabe? A Petrucinha, Tito, gostava de comer mato. Uma coisa doida, precisava de ver… Comia tudo que aparecia na frente, comia grama, comia flores, comia plantinha dos vizinhos, comia árvore, comiaaaa…..
– Mamãe!! Susúcia tomia avôles? (Mamãe, Petrúcia comia árvores?)
– Sim!! Ela comia arvores! Alguns animais comem árvores, as folhinhas…
– Aaaaah… Ela tomia dinossálo? (Aaaaah… Ela comia dinossauro?)
– Ó, às vezes, quando aparecia um perdido lá na rodovia, ela comia sim… Mas ela gostava mais de comer os matinhos pequenos, as graminhas… Deixa a mamãe continuar, presta atenção ó! Daí, tá lá a Petrúcia, linda e saltitante, correndo, correndo, procurando a casa da Maroca Pororoca, porque ela queria convidar a Maroquita para visitar o primo.
– Hmmmmm…. Zá sei!!! Susúcia na casa do Jão! (Hmmmmm… Já sei! Petrúcia na casa do João!)
– Que João?!
– Jão, mamãe! Toiésta… Buça! (João, mamãe! Floresta… Bruxa!)
– Nossa, mas a floresta do João era aqui perto também?
– Tiiiiim! (Sim)
– E a Maroca é prima do João?!? Achei que ela era priminha só do Titinho e do Nonossauro…
– Tamiém. Maloca imã do Jão. Jão e Maloca. (Também. Maroca é irmã do João. João e Maroca)
– Aaaaaaaaah… Entendi!!! Mas a Maria que é irmã do João, não é a mesma dessa história!
– É tim! Maloca, Jão, Susúcia, Tito. Dád. Nonô. Dídis. Tipâmi tamém. (É sim! É Maroca, João, Petrúcia, Tito. Vlad. Nonô. Isis (avó). Tia Thami também)
– Tá bom. Vamos colocar todo mundo na mesma história, da hora isso aí. Bom, estavam lá todos felizes, saltitantes, correndo feito cabritos doidos. Todos pela Raposo Tavares, porque a Bruxa morava logo ali no km18. Um transito do mal… E eles querendo achar uma casinha na floresta, para jantar…
– Mamãe, tá tu fome? (Mamãe, está com fome?)
– Eu?!? Não! Quem está com fome é essa gente da história…
– Tito, eu!
– Que tem? Tá com fome?
– Não… Té mamá. Um toquinho, tá bom? Até déiz. (Não… Quero mamar. Um pouquinho, tá bom? Até dez.)
– Tá bom… Só um pouquinho mesmo… E ouve a história para dormir.

Pausa, pega o mamá, e começa: – uuuuum, dôs, tês, táto, tinco, teis, téte, ôto, nóne, déiz. Cabô toquinho.
– Sim, chega então? Vamos continuar?
– Tim! (Sim)
– OK. Então, estavam lá, todos muito felizes, procurando a casinha na floresta, para jantarem e depois dormir. De repente…
– Ôbo! Ó lá!!!! – Aponta para a porta do quarto – Tadinho do ôbo… (Lobo, olha lá! Tadinho do lobo…)
– Porque tadinho do lobo?
– Maloca queceu ôbo. Num chóia. Vem ti papai…. (Maroca esqueceu do lobo… Não chora. Vem com o papai)
– Mano, o lobo é seu filho?!?
– É tim. Té mamá tamém. Só um toquinho, tá bom? Tá tiste… Veeeeem, papai… (É sim. Ele quer mamar também. Só um pouquinho, tá bom? Tá triste… Vem, papai)
Faz gesto de pegar no colo e leva o “lobo” ao peito. – shhhhhh, shhhhh, shhhhhh…. Talma! Tudo bem. – Beija, cobre o lobo imaginário com sua blusa.
– Mamãe, tainho nele. Cicisa… (Mamãe, carinho nele. Precisa)
– Oooow lobo, tudo bem… shhhhhh, shhhhh, shhhhh, se acalme. Estamos aqui…
– É, mamãe tá ati. Papai tamém. Papai Tito, Nono, Dád… Tooooodo bem. Shhhhhhhh, shhhhhh, shhhhhhh. (É, mamãe está aqui. Papai também. Papai do Tito, Nono, Vlad… Tuuuuuuuuuudo bem)
Ele fica em silencio.
– Que foi?
– Ômiu. (Dormiu)
– E você??
– Eu não.
– Tô percebendo… Vamos ficar quietinhos então, para não acordar o lobo?
– Tim. Tóbe ele. (Sim, cobre ele).
Peguei a coberta em joguei em todos nós… No meu colo, com os olhinhos já cerrados, ele fecha a noite com chave de ouro:
– Lhamo, mamãe. Otê. (Te amo, mamãe. Você)
– Lhe amo também, Titinho. Muito. Muito mesmo.

Dormiu agarrado ao lobo, e com todos nossos amigos não tão imaginários assim…

 2016_05_19 - Epopeia Noturna

Ausência temporária, retomada imediata!

Nonô decidiu fazer “funilaria e pintura”, e, como a recauchutagem era grande, levamos 25 dias para sair do hospital. Agora, pela graça de Deus (e tão somente por Ele), está tudo bem e ele continua fofo, gostoso e está ainda mais safado de mainha! :)
Não vou me estender falando o que aconteceu, porque, o que aconteceu já foi!! Nós dirigimos para frente e não olhando pelo retrovisor… rsrsrsrsrs E para frente, só temos Nono lindão, esperto e saudável!
Para variar um pouco, períodos como esses me levam a pensamentos intensos. E, preciso de um tempo para organizar tanto pensamento solto e rápido nessa cachola… Mas, já de cara, não posso deixar de lembrar de tantas pessoas especiais que me apareceram nessa jornada.
Foi tanto cuidado, tanto amor, tanto carinho, tanto trato, tanto, tanto, tanto, que, descobri que fiz novos amigos. Novos mesmo, porque mesmo os que já tinha comigo, se mostraram de formas tão diferentes, que eu jamais imaginei.
Quero expressamente agradecer e registrar todo nosso respeito e imenso carinho por:
– Você, que passou aquela primeira noite comigo, na UTI, de mãos dadas e olhos vidrados nas máquinas. Você tinha um plantão inteiro para cuidar, mas, teve a humanidade de se fazer presente a maior parte do tempo para me dizer que tudo ficaria bem e que logo sairíamos dali.
– Você, que teve toda paciência do mundo para me explicar mais de uma vez o que estava acontecendo com meu filho. E de me abraçar quando as palavras não faziam qualquer sentido.
– Você, que se ajoelhou comigo na madrugada mais fria e intensa que vivi, e pediu ao Deus que eu sirvo, que ouvisse minha voz e que me cobrisse com seu imenso amor. Você também me deu o abraço mais quente de todos os tempos e secou minhas lagrimas como só uma mãe poderia fazer.
– Você, que nos adotou como sobrinhos, e perguntava todos os dias pelo Reinaldo e pelo Vicente (mesmo sem conhece-lo).
– Você, que se despiu de todo conhecimento técnico, dos anos da faculdade de medicina, dos anos de residência, de toda experiência hospitalar, para me dizer que como mãe, me entendia e sentia minha dor. E que ali, você estava além da figura profissional, para me dizer que havia passado algo semelhante e que estaria comigo para o que precisar.
– Você, que orou comigo pelos corredores, que me levou para tomar café da manhã quando eu se quer lembrava disso, que me contou onde estavam as coisas que eu precisava (toalhas, cobertas, banheiro mais próximo: Só quem está lá sabe como essa mão é amiga), que me contou histórias de fé e superação, que me falou da sua própria história e me lembrou do amor de Deus, quando eu estava sem forças.
– Você, que orou comigo de longe, todos os dias, todas as madrugadas, e que me ligou várias vezes ao dia para saber como eu estava.
– Você, que deixou suas coisas, seu trabalho, suas filhas, viajou mais de 1h para passar uma tarde comigo e me deu carinho, colo, acariciou meus cabelos e me trouxe uma fruta.
– Você, que se preocupou com a parte burocrática enquanto minha cabeça não funcionava para isso, e, conseguiu fazer a declaração do IR para mim… rsrsrsrs
– Você que, ao saber do ocorrido, largou todos os afazeres, saiu no meio das compras no supermercado e foi até o hospital passar a tarde comigo e com o Re, orando, nos dando forças e lembrando do amor de Deus por nós. E ainda deixou todo seu estoque de balas e guloseimas, porque açúcar também é carinho. rsrsrs
– Você, que soube que havia acabado meu creme dental e foi a noite, depois de um dia exaustivo de trabalho, tomar um café comigo, comer um doce, me levar um sorriso e todo um arsenal (creme dental, shampoo, condicionador, sabonete, creme, lenços, perfume….) para que eu cuidasse minimamente de mim.
– Você, que com todo jeito alemão e duro de ser, não deixava de pedir notícias e dizer que estava rezando por nós.
– Você, que mentalizou e mandou boas energias para a rápida recuperação do Nono.
– Você, que fez promessas em favor da vida do meu filho.
– Você, que deu tantos banhos nele, enquanto se quer podíamos pega-lo, mas que o fez com o maior respeito e carinho que era possível… Você que também me ajudou com os penteados nele e que esperava nossas “danças matinais” (nessa época, ele dançava comigo só com os braços… rsrsrsrs) terminar para que pudesse verificar os sinais dele.
– Você, que cuidou e exercitou cada pedacinho do corpo dele, enquanto ele não podia se mexer… Você que, quando ele abriu os olhos e te viu, se apaixonou (e não era para menos, porque além de linda, é um doce em pessoa).
– Você, que não tinha palavras, mas tinha um braço do tamanho do mundo, e nos abraçou como família.
– Você que, quando cochilei, me cobriu e tentou me deixar o mais confortável possível.
– Você, que comemorou comigo quando ele acordou da anestesia. Que comemorou comigo o extubo. Que comemorou comigo a retomada da alimentação!
– Você, que me lembrou do horário da leitura (lemos, Nono e eu, um livro nesse período) quando minha cabeça estava muito cheia… E foi ótimo, porque só assim consegui me organizar internamente para continuar a caminhada.
– Você, que percebeu que eu havia conseguido dormir em uma madrugada, e, silenciosamente acalantou o Nono, para que eu pudesse dormir as primeiras 3 horas seguidas depois de 20 dias.
– Você, que no meio da comemoração com os colegas do plantão, lembrou de mim e trouxe um pedaço de bolo de fubá para que eu comesse com um café…
– Você, que cuidou do meu filho como se fosse o seu próprio, que tem a mesma idade, mas que estava em casa seguro e saudável com a mãe. Obrigada pelo olhos brilhantes e pela segurança que nos passou naquela noite.
– Você, que cuidou da minha primeira joia preciosa, meu Titinho, com muito amor.

Eu só vejo o tamanho do amor divino por mim. Por nós. Porque eu não vejo outra forma de reunir tantas pessoas especiais assim, sinceramente…

Um beijo e um queijo, queridos. Espero vê-los, como falei repetidas vezes, no parque, em um café, na praia, no shopping… Em qualquer lugar, menos no hospital!
No meu coração agora tem vários novos “puxadinhos”… Todos seguirão comigo, para sempre.

Nono e Thati

Primaiada

Sabe, meus pererecos, eu não me canso de olhar essa foto. Ela está carregada de tanta emoção, tanta história! Ela tem uma coisa de continuidade tão forte, tão bonita, que chega dá um nó cá dentro do peito.

Primos são irmãos que nasceram em outra barriga. Primos são nossos parceiros para as paradas que a vida nos traz. Primos são nossos amigos de parquinho, nossos amigos de véspera de prova, nossos amigos de balada, nossos amigos de confissões, nossos amigos de briga, nossos amigos de ombro e, quanto mais o tempo passar, são nossos amigos de colo.

Eu tenho muitos primos. Infelizmente, não tão perto físico e emocionalmente quanto eu gostaria, mas, os que tenho próximos, são próximos mesmo. É muito legal ter lembranças em comum, e, especialmente, vivências compartilhadas. E muito mais “bacana de mió”, é quando temos vivências de vida de forma simultânea, porque isso, isso zera todo placar das brigas e diferenças que tivemos ao longo da vida. Situações e dias estranhos sempre aparecerão, mas hoje, hoje eu sei que os dias cinzas serão infinitamente menores que os dias de amor.

Que vocês brinquem muito. Que um segure a mão do outro. Que vocês descubram muitas coisas juntos, e que juntos recebam as novidades que a vida lhes trará. Que juntos, todos nós, recebamos os novos membros da família, que façamos muitos acampamentos e banhos de mar. Que as brigas sejam resolvidas na hora, que saibamos fazer as pazes e que ressentimentos sejam dissipados com a divisão de um copo de suco. Que subamos em arvores, que assistamos filmes e que durmamos em paz, ainda que pela empolgação da reunião de família, sejam 4h da manhã. Que tenhamos muitos bolinhos de chuva para dividir, muitos brinquedos para desmontar e muitos papéis para pintar. Que superemos os desafios, as dúvidas, os medos, as crises, as alergias e as doenças. Que suas mãos sirvam carinho e chacoalhem o outro quando necessário… Mas não esqueçam do abraço (e que seja o melhor do mundo) com um olhar sincero, sempre! Que nunca nos falte giz de cera, lápis de cor e amor. Que a amizade floresça, paqueras cresçam, as famílias se constituam e, mesmo 30 anos depois, vocês possam se reunir assim, papear e deixar os filhos brincarem. Que vocês se ajudem mutuamente, especialmente após os tombos, seja no parquinho, seja na vida… E lembrem-se: beijinhos curam joelhos ralados e raladas no coração.

Que vocês se guiem pelo caminho de bem e que sejam flores no caminho do outro.

Amo vocês… E sou muito feliz por tê-los nesse plano conosco.

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Da esquerda para a direita: Tótis, Maroca-Pororoca, Titossauro e Fubá <3

De frente para eles: os pais, tios e avós, vomitando arco-iris.

Desfralde… O treco eterno.

2016_04_07 - Desfralde eterno

Dias atrás estava cansada de levar tanta mijada. Assim mesmo, na lata. E tava meio de bode, porque a pessoa que não aceita fralda é a mesma que também começa a dançar assistindo qualquer coisa e “iquéci” de avisar que a pingolinha vai funcionar.

Daí a pessoa passou a tomar a decisão sozinha. Estava lá na sala, pãns, feliz da vida. Eu olhava 36 segundos depois, o moleque havia sumido. Corria e encontrava com ele no banheiro… Aí tu pensa – “Pow THati, que bom!! Ele não pede mas ia pra lá!” – e eu digo – “Sim, é verdade, bacanão isso aê”. Agora o que tus não sabe é da segunda parte: ele estava segurando a mangueirinha e lavando as paredes. Assim, super feliz. E ainda manda um “Ó mamain Thati, buniiiiiitu!”. OK, melhor no banheiro que pela casa, mas, manooooow, tem que lavar tudo?!?

Cara, o desfralde as vezes parece eterno. Só quando a gente pára e racionaliza a coisa toda é que se dá conta: todo esse processo mesmo, de xixi descontrolado e tal, durou cerca de 1 semana, embora eu tenha sentido como se estivéssemos desfraldando há 1 ano. Rsrsrsrsrsrs

Fato é que, se passaram 40 dias desde a decisão dele e já não temos mais escapes, ou pelo menos aqueles de rotina. E, percebemos que o desfralde noturno também começou, porque as vezes ele acorda a noite e pede para fazer xixi… Ou acorda pela manhã sequinho e, antes do “ooooom dia!” vem um “mamaaaaaain, té cicí! Cóóóóeeeeee!”.

Nóis parece boa mãe, mas nóis cansa as veiz, viu.

Nonô quebô!

Enquanto preparo um lanche, ouço da cozinha as palmas e a batida compassada dos pés: “Áma, áma, áma! Pé, pé, péééééé! Óda, óda, óda cicucicu cicucé”. Com um olho no peixe e outro no gato, olho o mais novo na cadeirinha, observando o irmão nessa apresentação toda e sorrindo.
Volto para a sala, Tito corre a conversar:
– Mamaaaaain THati, óóó!! – E aponta para o Nonô.
– Que foi fi-filho? É o Nono, né? Seu irmão!
– Tiiiiiim. Mó mamão! – Corre beija e volta a dançar na frente dele: – Áma, áma, áma! Pé, pé, péééééé! Óda, óda, óda cicucicu cicucéééééé!
Para na frente da cadeirinha, como estátua, braços e sorrisão aberto. Na sequência grita:
– Mamaaaaain THati, óóó!! Nonô, quebô.
– Como assim, Sauro? Mostra para mamãe o que é “Nonô quebô”.
Ele pega as mãozinhas do Nonô, simulando palmas e começa a musiquinha, devagar, como fazemos com o Nonô… “Á-ma, á-ma, á-ma!”. Quando termina essa primeira estrofe, solta as mãos dele, e, Nonô as abaixa.
– Ó mamain, Nonô quebô, atiiiim. Cadê áti áma? (Ó mamãe, Nono QUEBROU, assim. Cadê bate palma?)
 
Choro largada com esses dois.

Sobre a Liberdade da Mulher

Escrever tem sido um exercício diário de reflexão e empatia, especialmente, com as questões feministas.

Por esse motivo, gostaria aqui de deixar claro que respeito, piamente, as decisões de cada uma a respeito de seus corpos e vidas: Ser mãe ou não ser. Amamentar ou não amamentar. Adotar o método X ou Y. Trabalhar ou ficar com os filhos. Todas as escolhas são validas e não cabe a mim ou a qualquer outra pessoa qualquer tipo de julgamento.

Nesse blog, coloco minhas experiências e o resultados delas sob unicamente meu ponto de vista. O negócio é umbiguista mesmo, assumo.

Eu reconheço a pressão geral quanto a maioria das nossas escolhas…

Uma mulher que opta pela não maternidade é taxada. A que opta também é.

A que não amamenta sofre preconceito. E a que a amamenta também.

A que deixa os filhos e sai para trabalhar é duramente rotulada. E a que fica com eles, não foge à rótulos.

Que eu quero dizer com isso: estamos TODAS do mesmo lado. Todas mesmo. E não tenho a menor pretensão de julgar suas escolhas ao expor as minhas. Aqui, ficam registradas apenas as vivências que deram certo (ou não!) para mim, para minha família. E se achar útil, use como referência… Ou não, como diria Cateano, o Veloso.

2016_03_31 - Escolhas Femininas