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Hoje tem Marmelada?!? Não sinhô, se contente com o mamão mesmo.

Cá estou eu, pela segunda vez, as vésperas de uma introdução alimentar. E, bobinha que sou, achei que dessa vez seria mamão com açúcar. (Metaforicamente falando, claro, no way açucares antes de 2 anos aqui.)

Estou agora olhando para esse par de bochechas olhos, e lembrando como construímos essa relação durante esses 6 meses.

Você nasceu do jeito que quis. E, nos ensinando desde o primeiro minuto de vida que juntos estamos bem, mamou como se nada demais tivesse acontecido. Imagina, nascer é corriqueiro, e você sabia fazer isso.

Ao sair, procurou meus olhos e na sequência, meu peito. Seu lugar. Foi no meu peito que percebi seu lábio, me preocupei, e você com a maior naturalidade, me ensinou como é amamentar um bebê com lábio leporino.

Confesso que me assustei ao perceber, mas, também vi que estava se resolvendo. Meu único pensamento foi bem primitivo: se houvesse algum problema grave, você não mamaria. E meu coração foi se acalmando.

Nossa Golden Hour foi especial… E durou bem mais de 1h. Ficamos grudados até a chegada ao hospital, e, enquanto éramos avaliados juntos, você continuou mamando como se não houvesse amanhã. Saiu de casa mamando. Se esparramou no carro comigo, no banco de trás, mamando. Chegou ao hospital mamando. E só largou porque precisavam nos avaliar de modo mais completo, isso pouco mais de 2h após seu nascimento.

Fomos para a UTI, em função do peso. Disseram-nos que “faltavam” 200 gramas para esse corpinho ser ainda mais gostoso. Ali estava nossa primeira missão juntos: mamar o suficiente para cumprir um protocolo hospitalar e sairmos de lá rapidamente.  E foi ali que começamos nossos primeiros entraves: fomos colocados em cheque algumas vezes, eram muitas varáveis, muitas dúvidas alheias e muitas sentenças sem qualquer fundamento técnico (a falta de capacitação técnica de profissionais da saúde a respeito do aleitamento é algo assustador):

– “hmmm… Lábio leporino não mama no seio.”

– “Ele é pequeno!”

– “Essa apojadura está excessiva!”

– “Não seria melhor dar formula para ganhar peso mais rápido?”

– “Mas é só um leitinho para ajudar, vocês não precisam se sacrificar.”

– “Ele tem preguiça? Xiii, não vai mamar.”

– “Você não conseguirá amamenta-lo aqui dentro, bebe de UTI não mama SÓ na mãe.”

Fato é que nenhuma dessas frases sem sentido abalaram nossa certeza de que conseguiríamos, até porque, os principais mitos, já havíamos derrubado juntos. Foi no terceiro dia, com amamentação em livre demanda, apojadura com sucesso e pega correta, que tivemos um questionamento maior: você não ganhava peso. Caramba!! E nossas certezas? E tudo que sabíamos? E tudo que havíamos lido? Havia algo estranho nisso. Novamente, e agora de modo mais incisivo, a fórmula parecia ser único e mais seguro caminho.

Com todo nosso doce jeitinho casca grossa de ser, respiramos fundo, procurarmos informação e assumimos os riscos. Para discussão técnica, contamos com apoio de uma profissional na qual temos plena confiança, justamente por saber que, além de exercer com maestria sua profissão, é alguém que atua totalmente embasada em evidências científicas e, logo, sabe a importância do aleitamento materno exclusivo, especialmente para bebês dentro dessa comunidade de terapia intensiva.

Sabe Nonô, estava muito claro para nossa família que você não teria aquele peso eternamente, e que, se o peso não vinha, não era em função da amamentação. Estávamos fazendo um bom trabalho, precisávamos nos entregar.

Recebi alta hospitalar antes de você. Nesse dia tive medo… Eu via nesse processo de amamentação a chave para resguardar sua imunidade, era nosso antídoto, seja lá para o que fosse. Nossa rotina era insana, mas nosso mantra diário era “isso também passará”.

Seguimos por meses entre idas e vindas da UTI, transfusões, muitos exames e muitos testes até o diagnóstico. Em nenhum desses 180 dias você deixou de mamar. E muito.

Agora, meu “priquito”, encerramos um ciclo. Você está prestes a ser apresentado a um novo mundo, repleto de cores, texturas, aromas e sabores. O assunto dessa semana é a escolha da sua primeira fruta! Embora saiba que a alimentação é complementar (sua principal fonte nutricional ainda será o leite materno, por, pelo menos mais 6 meses), minha sensação é que a partir da introdução alimentar, vocês começam a aprender a ter o controle de suas vidas. Pode parecer exagerado, mas, é a sensação que tive nas duas vezes que vivi isso. É uma sensação muito, muito interessante.

Espero que você tenha aproveitado esse período tanto quanto eu. Foi uma delícia ser sua nutriz exclusiva todos esses dias! Tivemos dias difíceis, mas, não tivemos dúvidas a respeito de nossa decisão. Sou grata pela experiência que vivemos juntos, mas, principalmente pelos ensinamentos que você me trouxe a cada dia.

Sigamos, enfrentando tudo que precisarmos para defender nossas escolhas.

Estou com vocês de sempre e para sempre, de braços, coração e peito aberto (e cheio de leite! rsrsrs) para qualquer desafio. Amo você, tchubirubis.