Arquivos mensais: junho 2016

Sobre a Sociedade Moderna

Fomos a mais uma consulta do Caetano.

Levantamos cedo, enquanto me preparava, ele dormia mais um pouco e o pai dele ajeitava a mala com todas as coisas que costumamos usar na rua.

Chegamos ao hospital, aguardávamos o chefe do setor para discutirmos o caso e definir os próximos passos. Não conhecíamos até o momento. A grata surpresa foi sua simpatia e a nítida paixão pelo que faz. ELA é realmente boa nisso, é referência para sua equipe, os conduz com segurança e os apoia com empatia. Trata com respeito e muito cuidado, não só os pacientes, mas os familiares que os acompanham nessa dura rotina. Saímos felizes de lá.

Seguimos a programação, considerando as inúmeras variáveis do dia: Muito cedo, muito frio, muito vento, muitas bolsas… Chamei o táxi por um aplicativo.

Taxi chega, abro a porta cumprimento a motorista. Embarco os dois, acomodo as bolsas, os beijo, recomendo que ELA os conduza em paz até nossa casa. Ela sorri, e me diz para ficar tranquila.

Sigo minha agenda, visita a um cliente. Pego estrada. Paro em um posto, para tomar um café. Cumprimento um policial rodoviário. ELA responde ao cumprimento com um sorriso nos lábios e na voz. Sorrimos mutuamente.

Retomo meu trajeto. Chegando à cidade, dou passagem para um ônibus lotado de crianças. Recebo um agradecimento sonoro e um aceno na sequência. Pela janela, unhas vermelhas radiantes acenando e ELA dirigindo cautelosamente.

O pingo que faltava no meu copo de orgulho, chegou quando comecei meu dia falando com profissionais que admiro e respeito, pela sua trajetória profissional e pela humanidade que tem. ELAS sempre com boas ideias, buscando conhecimento, inovando e tentando a melhor alternativa para o projeto. ELAS fazendo comigo a diferença no cliente. ELAS. ELAS. ELAS.

E daí que começo a perceber quantas MULHERES DISPOSTAS, FORTES e COMPETENTES me cercam.

A começar de minha mãe.

A se estender à minha irmã.

A englobar minhas cunhadas. E as mães das minhas cunhadas.

Minhas tias. Minhas primas. Minhas AVÓS.

Minhas parceiras de negócio, de projetos, de café e mão amiga.

Minhas amigas. As que não são minhas amigas. As que se quer conheço.

As mulheres que encontro todos os dias na entrada da escola das crianças, prontas para a vida.

TODAS, a mudar o mundo.

TODAS, a construir um lugar mais igualitário e justo.

TODAS, lutando por si e pelas outras, ainda que indiretamente.

São elas. São ELAS.

Em casa, na rua, no comércio, nas indústrias. Ocupando todos os lugares, porque todos são nossos. Todas as frentes são possíveis.

Quero que saibam do meu orgulho. Um orgulho gigante por sermos essas mulheres.

E para quem ainda insiste em subestimar esse poder, eu só digo uma coisa: SINTO MUITO. Porque tudo isso é só o começo. Nós somos as netas das bruxas que vocês queimaram. E vocês não fazem ideia do que serão as filhas de nossos ventres.

Vamos irmãs. Para o alto e avante!

O Pai é nosso, mas a oração é minha

Meu pai amado que está nos céus,

Você que está em tudo. E, por mais estranho que as vezes me pareça, está em todos… Até naquele um que enche o meu saco.

Você, que é o Alpha e o Ômega, o principio e o fim,

Você, que no meu entendimento também deve ser homem e mulher porque nos fez a Sua imagem e semelhança

Você que me permitiu a graça de maternar esses dois seres

Você que me permitiu a graça de ver graça nisso tudo

Você que é Batutão e me ajuda mesmo quando eu acho que não mereço (porque eu sei que só pela sua infindável graça e amor para aturar umas paradas minhas aê… Mas, é assim mesmo, né? Filho, às vezes, é “fogo na barra da saia”, cê sabe disso melhor que eu.)

Deus-Tudão. Deus-Lindão. Continua comigo todo tempo, porque a parada aqui na terra tá loucona… Temos tido uns dias “esquisitão” desse lado de cá. Serião.

Os humanos que Você criou, anda num azedume sem fim. É tanto ódio nuns coraçõezinhos peludos aqui, que “aaaaas veeeeeiiiiiiz, susta nóis”. É tanta intolerância. É tanto radicalismo. Tanta gente sabida das coisas, do bem e do mal. Um tanto de regra vomitada da boca dessas gentes (vou escrever vomitada, mas cê sabe bem que eu pensei, né?), que, ó, só lembrando que são nossos irmãozinhos mesmo para não mandar a voadora bem no meio do peito. Jesus não iria ficar contente com isso, então, nóis respira.

Bom, o Senhor tem visto isso tudo também, né? Não tem novidade. Mas ó, isso aumenta a minha fé e me faz acreditar ainda mais em Você, porque só o amor paterno/ materno mesmo para não acabar com toda essa chatice humana. Então, obrigada pelo ensinamento. Se quiser já colocar mais seres legais perto de mim, pode colocar, porque já aprendi essa lição aê.

Bom, o papo é reto, Queridão: tô aqui orando para agradecer. O mundo tá um caos, as pessoas um saco, eu num tô lá a mais simpática da turma, mas, mesmo com tudo isso, Sua presença não se afasta de mim. Também agradeço pelos filhos que me confiou e peço sua direção para criá-los da forma mais humana que eu puder. Agradecidíssima pela saúde, pelos livramentos (que, ó, tá de parabéns!) e por colar comigo nos rolê. Valeu também pelo cidadão latino americano que colocou no meu caminho (vulgo Reinaldo) e pelo qual garrei amor, ele tem mais coisas legais que chatas, foi da hora isso aê.

Beijão.

Continua comigo nas parada.

Ainda bem que tamo junto.

É nóis.

Teremos dias cinzas também, filhos.

Hoje acordarmos num leve mal humor. Mentira. Acordamos num mal humor homérico mesmo.

Tito não queria escovar os dentes, não queria lavar o rosto, não queria colocar a cueca, nem as calças, muito menos a camiseta. A blusa voava de um lado para outro. Sapato, nem de longe. Não queria comer, nem ir para escola, também não queria ficar. Não queria assistir nada, muito menos esperar no sofá. Não queria falar e nem ouvir. Não queria. Ho-je ele NÃO que-ri-a.

Nonô acordou reclamante, não queria colo, não queria ficar longe dos meus braços, não queria cama, não queria berço. Não queria mamar. Não queria coberta, não queria ficar sem ela. Não queria que mexessem em sua roupa. Não queria o brinquedinho preferido, não queria a mãe, o pai, o irmão ou o cachorro. Se houvesse um papagaio, certamente não o quereria. Ho-je ele NÃO que-ri-a.

Vlad não queria menino por perto. Não queria ficar na sala e também não queria ficar isolado. Não queria barulho. Não queria a ração. Não queria. Ho-je ele NÃO que-ri-a.

Hoje eles não queriam as coisas, e eu não queria que eles não quisessem. Todos queriam e NÃO queriam um sem fim de coisas. :(

Saímos de casa “de bico”. Todos. Antes de entrar na escola, os beijei e abracei bem forte. Contei para eles que temos dias esquisitos na vida, mas, como os dias bons, eles, também terminam. E que a tardezinha eu voltaria com meu melhor sorriso, para que juntos nos preparássemos para um novo dia cheio de SIMs.

Sigamos.