Arquivos mensais: abril 2016

Primaiada

Sabe, meus pererecos, eu não me canso de olhar essa foto. Ela está carregada de tanta emoção, tanta história! Ela tem uma coisa de continuidade tão forte, tão bonita, que chega dá um nó cá dentro do peito.

Primos são irmãos que nasceram em outra barriga. Primos são nossos parceiros para as paradas que a vida nos traz. Primos são nossos amigos de parquinho, nossos amigos de véspera de prova, nossos amigos de balada, nossos amigos de confissões, nossos amigos de briga, nossos amigos de ombro e, quanto mais o tempo passar, são nossos amigos de colo.

Eu tenho muitos primos. Infelizmente, não tão perto físico e emocionalmente quanto eu gostaria, mas, os que tenho próximos, são próximos mesmo. É muito legal ter lembranças em comum, e, especialmente, vivências compartilhadas. E muito mais “bacana de mió”, é quando temos vivências de vida de forma simultânea, porque isso, isso zera todo placar das brigas e diferenças que tivemos ao longo da vida. Situações e dias estranhos sempre aparecerão, mas hoje, hoje eu sei que os dias cinzas serão infinitamente menores que os dias de amor.

Que vocês brinquem muito. Que um segure a mão do outro. Que vocês descubram muitas coisas juntos, e que juntos recebam as novidades que a vida lhes trará. Que juntos, todos nós, recebamos os novos membros da família, que façamos muitos acampamentos e banhos de mar. Que as brigas sejam resolvidas na hora, que saibamos fazer as pazes e que ressentimentos sejam dissipados com a divisão de um copo de suco. Que subamos em arvores, que assistamos filmes e que durmamos em paz, ainda que pela empolgação da reunião de família, sejam 4h da manhã. Que tenhamos muitos bolinhos de chuva para dividir, muitos brinquedos para desmontar e muitos papéis para pintar. Que superemos os desafios, as dúvidas, os medos, as crises, as alergias e as doenças. Que suas mãos sirvam carinho e chacoalhem o outro quando necessário… Mas não esqueçam do abraço (e que seja o melhor do mundo) com um olhar sincero, sempre! Que nunca nos falte giz de cera, lápis de cor e amor. Que a amizade floresça, paqueras cresçam, as famílias se constituam e, mesmo 30 anos depois, vocês possam se reunir assim, papear e deixar os filhos brincarem. Que vocês se ajudem mutuamente, especialmente após os tombos, seja no parquinho, seja na vida… E lembrem-se: beijinhos curam joelhos ralados e raladas no coração.

Que vocês se guiem pelo caminho de bem e que sejam flores no caminho do outro.

Amo vocês… E sou muito feliz por tê-los nesse plano conosco.

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Da esquerda para a direita: Tótis, Maroca-Pororoca, Titossauro e Fubá <3

De frente para eles: os pais, tios e avós, vomitando arco-iris.

Desfralde… O treco eterno.

2016_04_07 - Desfralde eterno

Dias atrás estava cansada de levar tanta mijada. Assim mesmo, na lata. E tava meio de bode, porque a pessoa que não aceita fralda é a mesma que também começa a dançar assistindo qualquer coisa e “iquéci” de avisar que a pingolinha vai funcionar.

Daí a pessoa passou a tomar a decisão sozinha. Estava lá na sala, pãns, feliz da vida. Eu olhava 36 segundos depois, o moleque havia sumido. Corria e encontrava com ele no banheiro… Aí tu pensa – “Pow THati, que bom!! Ele não pede mas ia pra lá!” – e eu digo – “Sim, é verdade, bacanão isso aê”. Agora o que tus não sabe é da segunda parte: ele estava segurando a mangueirinha e lavando as paredes. Assim, super feliz. E ainda manda um “Ó mamain Thati, buniiiiiitu!”. OK, melhor no banheiro que pela casa, mas, manooooow, tem que lavar tudo?!?

Cara, o desfralde as vezes parece eterno. Só quando a gente pára e racionaliza a coisa toda é que se dá conta: todo esse processo mesmo, de xixi descontrolado e tal, durou cerca de 1 semana, embora eu tenha sentido como se estivéssemos desfraldando há 1 ano. Rsrsrsrsrsrs

Fato é que, se passaram 40 dias desde a decisão dele e já não temos mais escapes, ou pelo menos aqueles de rotina. E, percebemos que o desfralde noturno também começou, porque as vezes ele acorda a noite e pede para fazer xixi… Ou acorda pela manhã sequinho e, antes do “ooooom dia!” vem um “mamaaaaaain, té cicí! Cóóóóeeeeee!”.

Nóis parece boa mãe, mas nóis cansa as veiz, viu.

Nonô quebô!

Enquanto preparo um lanche, ouço da cozinha as palmas e a batida compassada dos pés: “Áma, áma, áma! Pé, pé, péééééé! Óda, óda, óda cicucicu cicucé”. Com um olho no peixe e outro no gato, olho o mais novo na cadeirinha, observando o irmão nessa apresentação toda e sorrindo.
Volto para a sala, Tito corre a conversar:
– Mamaaaaain THati, óóó!! – E aponta para o Nonô.
– Que foi fi-filho? É o Nono, né? Seu irmão!
– Tiiiiiim. Mó mamão! – Corre beija e volta a dançar na frente dele: – Áma, áma, áma! Pé, pé, péééééé! Óda, óda, óda cicucicu cicucéééééé!
Para na frente da cadeirinha, como estátua, braços e sorrisão aberto. Na sequência grita:
– Mamaaaaain THati, óóó!! Nonô, quebô.
– Como assim, Sauro? Mostra para mamãe o que é “Nonô quebô”.
Ele pega as mãozinhas do Nonô, simulando palmas e começa a musiquinha, devagar, como fazemos com o Nonô… “Á-ma, á-ma, á-ma!”. Quando termina essa primeira estrofe, solta as mãos dele, e, Nonô as abaixa.
– Ó mamain, Nonô quebô, atiiiim. Cadê áti áma? (Ó mamãe, Nono QUEBROU, assim. Cadê bate palma?)
 
Choro largada com esses dois.